Mutação


Amor
Promessas
Fim
Falsas promessas

A Máquina do Tempo



Leia ao som de "Atrás da porta", excepcionalmente, por Elis Regina.

E comete-se o erro.
E percebe-se o erro.
E arrepende-se do erro.

O estômago embrulha.
A garganta cerca.
Os átrios se contraem com mais voracidade.
O peito dói.
A razão pesa.
A falta de razão do momento impensado retraí-se num canto de parede.

E o perdão é impulsionado.
Estoura a barreira do orgulho.
É externado pelos diastemas e por entre a língua.

E espera-se a resposta.
E dependendo dela, deseja-se ter uma máquina do tempo.
Perdão?

Tempestade de Fogo

Leia ao som de "Animal" por Mula Manca & e a Figura Fabulosa


Então agora eu vou ser sincero,
puramente: também me sinto esquecido. 

Também estou desmoronando.
Aceitei o convite, aceitei dançar com fogo, mas agora as coisas queimam. 

E as coisas não queimam só pra mim.
Queimam pra todos, pra qualquer um que tenha a sensibilidade do risco.
Ninguém se arrepende, as coisas queimam por serem belas.
Isto simplesmente é pra quem arde e vive com o
barulho das brasas

Poema para percepção


As minhas ereções não são as mesmas e a bebida já não é mais adocicada. As companhias me são desestimulantes. E tu ficas aí, olhando-me, com o canto dos olhos frios e negros.
E eu? 
Onde estou, nisso tudo?
Responda-me. Não sei. O desespero me consome.
Estou preso na incerteza que consome a vela como fogo.
Preso no sabor adstringente do teu corpo.

Retorno


Leia ao som de "Amor Errado", por Fernanda Porto.

Os olhos abertos, vermelhos.
Presos pela realidade, destinados a conflagrarem, abertos.
Sinto falta da ilusão, da colorida escuridão.
Sinto falta de sorrir, e de sofrer.
Olhos, por favor, fechem.

Brennon Bernardo



Leia ao som de PARALELAS de BELCHIOR.

Eu sei que essa mudança vai te fazer bem, que tu vai ser incrivelmente feliz, seja em Minas Gerais ou no Cariri ou no Siri Lanka ou no inferno, cantando com Renato Russo e Cassia Eller.
Mas, lembro que há três meses atrás tu disse q estava dividido entre agir emocionalmente ou racionalmente. Hoje sou eu quem está nesse impase, ou melhor, estava, pq eu apelei para a emoção. Te pedi pra ficar, chorei, implorei... Mas, você seguiu seu caminho.
E agora, eu fico aqui, com as nossas lembranças dos nosso momentos sempre perfeitos e com a esperança de um breve reencontro.
É, meu caro amigo e irmão, Brennon Bernardo, quanta coisa juntos em?
Só me pergunto agora quem vai fazer por mim o que só tu fazia. Quem vai me carregar bêbado pra casa? Quem vai me aguentar nos meus momentos de paixonite? Quem vai rodar todos os cantos de Juazeiro comigo em cima de uma moto? Quem vai beber comigo até o dia amanhecer em plena praça de Quixadá? Quem vai cantar RONDA comigo? Quem vai ser chato comigo? Quem vai puxar minha orelha? Enfim... e agora? Quem vai ser meu melhor amigo? Não sei... se aparecer outro, ótimo.
Irei sempre lembrar de ti, ao ouvir Maria Bethânia (Mary Bethy, para nós, que temos um grau de intimidade dantesca com ela) e em todos os momentos em que eu perceber que tu poderias estar presente comigo.
Só saibas que o teu lugar é sempre teu, o lugar de grande amigo e irmão.
Pq, tu é quem TOPA TUDO COM MEDEIROS. E agora eu quem topei na tua ausência.
Fica bem, grande amigo.
Fica muito bem.
E só pra constar... Sexta-feira, estarei no Bar do Zé, bebendo por você e com você, no meu coração, meu grande e caro e melhor e incrível e the best best amigo.
Amo você demais.

P.S.: Bernnadetty já está morrendo de saudades de ti.

Chegou... e se foi.


Leia ouvindo "Trajetória" por Maria Rita.


E antes d’Ele tudo era preto-e-branco.
Num dia preto-e-branco, Ele chega.
Ele se chega.
Ele aconchega.
O preto vira branco e o branco vira preto.
E do preto que era branco, fluem os vermelhos, flui o calor.
E do branco que era preto, escorrem os azuis, nasce o conforto inquieto das poucas horas sem Ele.
Com Ele, a efusão de cores se espalha... os tons de cores se transformam em formas, sabores e mais milhões de cores.
De sorrisos, de risos.
De egos, de alter egos.
E a “vida” ganha Vida.
Ele te descobre.
Te permeia.
Te penetra.
Te semeia.
De cores.
Até que a o fim se faz notório, e ele vai.
E leva com ele as magníficas cores.
Até o falso preto-e-branco se vai.
E só resta o preto-e-branco da escuridão.
Chegou... e se foi, o Amor.

Resgate

Leia ao som de Alívio Imediato, de Engenheiro do Havaií


Bem, eu achava que não precisava de ninguém para me resgatar, talvez eu estivesse errado
Eu estou sendo salvo do fogo
Cantando sua canção em meu coração e hipnotizando todos os demônios.
Desisto de alguém que cure o meu orgulho, preciso de alguém que venha me acordar, me sacudir, ajudar a levantar-me.
Enfim, preciso de você para me tirar do inferno.
E o que seria o inferno?

E se?

Leia ao som de "Seahorse" por Devendra Banhart


E se eu caísse e me machucasse?
Você saberia como me consertar?
E se eu fosse e me perdesse?
Você saberia onde me achar?
Se eu esquessece quem eu sou?
Você, por favor, me lembraria?

Liberdade


Leia ao som de "Shelter" por Ray LaMontagne.


Os cavalos selvagens.
Sou como eles.
O peso de nenhum homem pode deflagrar minha alma.
Apenas o vento me domestica.
Apenas o vento que traz o teu cheiro me domestica.

Fuga


Leia ao som de "Mobile no furacão" do Paulinho Moska

O sol brilha, e hoje poderia ser um dia quente se eu não soubesse que é inverno e que lá fora está frio. Se não olhasse pela janela e não visse que o campo verde que se estende em frente a minha casa, do outro lado da estrada, está tapado por um manto gélido semi-branco.
O frio vê-se mais nas pessoas do que no tempo.
E o frio não é se não a falta de calor.
Em dias assim, era melhor esquecer tudo aquilo que remói dentro da cabeça e não se sabe o que é. Sabe-se. Quase que se tem a certeza. Mas dizê-lo seria torná-lo verdade... e não queremos isso.
Dizemos sempre que queremos saber tudo, mas há coisas que, se calhar, era melhor não saber.

Untitled V

Leia ao som de "Clandestino" por Adriana Calcanhoto

Nas carícias de tua mão
Encontro novos poemas
Deixo de lado a razão
E me prendo a todos os teus lábios.

Bilhete à poeta desolado

Leia ao som de "Trajetória" por Maria Rita

"Depois de ouvir um comentário teu ontem , de certa forma eu sabia que isso aconteceria. Quando eu disse que te faria me amar eu não brinquei, pois sei como sou e sei que sempre conquisto o melhor das pessoas. Porém, eu compreendo, entendo e respeito sua decisão, pois não tenho o direito de brincar com as pessoas nem tão pouco com o que elas tem de melhor, que são seus sentimentos. A consequência disso tudo é que em três dias com sua companhia, hoje eu senti frio, senti tua falta.
Eu já disse que és um rapaz fantástico, seguro e extremamente determinado em todos os campos de sua vida(pessoal, sentimental e profissional) e isso terá reflexo no seu futuro que será brilhante. Um dia eu ainda irei ouvir falar de você e espero encontrá-lo bem com alguém que o mereça de corpo e alma.
Uma vez você me disse que ele tem sorte de me ter.
Pode até ser que ele tenha sorte em me ter, mas a verdadeira sorte foi eu ter te conhecido.
Um grande último beijo,

Sua doce menina do campo"

"Vangogueando"


Leia ao som de "Find me" por Boyce Avenue

Viajo pela noite estrelada de Van Gogh.
Perco-me nas cores escuras do pintor louco.
Sol da escuridão.
Traços leves.
Fibras longas.
Tenho o brilho de todas as estrelas.
Mas onde estais o teu brilho?
O brilho que ofusca o astro-rei?

?

Leia ao som de "Brilha onde estiver", O Teatro Mágico.

Eu estou morto para ti.
Tu dizes que somos amigos, mas o que é um amigo quando há um homem que dorme em tua cama?

Eu estava errado.
Eu sempre estive errado.

Tudo está perto do fim.
Manter-me-ei longe de você.

Ir ou não ir?

Leia ao som de "Me gusta", Zélia Duncan.

A vida que eu conheci acabou.
Vire-me e aponte-me o caminho de volta à nossa casa.
Perco-me a cada dia.
Por mais que eu queira voltar, é no nada que estão as estrelas dos meus olhos e o espelho de tua alma.
Aqui estão os meus termos, a minha fé e as soluções infinitas.
Tudo está aqui, no nada.
Eu só quero que me deixem ser o que eu quero ser.
Eu só quero que você seja o que você quer ser.

Eu, lápis. Você, papel.

Leia ao som de "Tatuagem" de Chico Buarque

Risco-te, rabisco-te.
Desenho-te com lápis e mancho-te com carvão.
E no braile escrito a dente em teu corpo, escrevo nossa história.
E no sangue do teu talhe que escorre em minhas unhas, escrevo nossa história.

As noites de minha vida

Leia ouvindo a música "Over my Blue" de Barzin.

Tateei os lençóis da cama. Nada achei, a não ser o calor vazio das cobertas, cobertas com teu cheiro. Líquidos ainda saiam de meu corpo. Eu ainda sentia tuas curvas a deslizarem pelos meus pêlos.
O chão estava frio, o ar estava amargo. Esse frio amargo fez acorrentar-me nas cobertas. Que para mim não mais eram cobertas. Eram o corpo que eu tinha possuído, ou que me tinha possuído, na noite passada. Eu ficava ereto em conseqüência do teu suor que saia dos cobertores suados.
Vazio. Era assim que eu me sentia. Vazio.
Vazio.
Sem nada.
Sem ninguém.
Sozinho.
Vazio.
Sem ti.
Onde tu estavas agora? E pensar que há algumas horas tu estavas aqui.
Sequer me despedi direito. Aquela despedida não foi suficiente.
Esqueci de te entregar o botão de rosa branco amarelado, agora murcho, que havia reservado embaixo da cama para ti. Mas, como sempre, as tuas palavras eróticas e os teus gestos me fizeram esquecer o mundo.
Espero-te para a próxima vez.
Não ligue para o dinheiro. Eu o tenho. Apenas volte, quando puder!

Desenfreada busca

Sabe, hoje acordei. Era dia, ou era noite. Não sei!
Os meus monstros imaginários vieram à tona. Fizeram-me chorar. Fizeram-me viajar nas malditas lembranças, nas lembranças do passado e nas possíveis lembranças do futuro.
É fácil ver o lado escuro da lua quando se está de olhos fechados.
E é isso que eu tento fazer, abrir meus olhos. Crescer.
Tento correr contra o lado escuro da lua, acompanhar o movimento de rotação do astro terrestre e achar a luz;
Brincar com monstros imaginários não é fácil, eles sempre esquecem que eu sou café-com-leite.
Por isso que, assim como o mínimo Príncipe, eu espero um cometa de cauda dourada. Mas eu quero que ele me leve para o Sol. Lá sim eu terei a irremediável luz para o resto da vida.

Inovação

Olhei novos olhos.
Impressionante como a luz dos teus olhos conseguia me cegar.
Senti frio.
Foi bom ver como meu corpo ainda está vivo, aberto a novos efeitos.
Senti novos cheiros.
O teu confundia as minhas narinas.
Beijei novas bocas.
E os sabores delas me fizeram ver que o teu não é tão bom.
Toquei novos corpos.
E percebi que não preciso do teu.
Existem outros mais bonitos, quentes e saborosos.

Contrariando Renato!

Acabei de descobrir que sexo verbal faz meu estilo.

Complexo II

O que eu faço para ser eu mesmo?
Devo enfrentar as mentiras que estão escondidas em minha alma?
Acredite, isto é difícil.

Complexo I

Você desistiria dos seus antigos sonhos para buscar uma realidade mais perfeita?
Cuidado, riscos trazem arrependimentos.
É o que estou vivendo.

Malditas incertezas

As escolhas que fazemos realmente importam?
Não sei, e nem tentarei responder isso. Se eu acredito ou não no destino, isso não importa. O que importa é que um dia nós, seres humanos, chegamos a algum lugar. Se são as nossas escolhas ou o destino que nos levam até lá, mais uma vez, não sei.
Eu sempre busquei livros, discos, poemas. Mas esqueci do que eu realmente preciso: um pouco de fé em mim mesmo e um pouco de desconfiança nos outros.
A fé em mim mesmo está sendo adquirida, mas a “desconfiança nos outros” não é simpática comigo. Por que é tão difícil ver o lado ruim das pessoas? Ele sempre está tão claro. Por que só eu não consigo enxergá-lo?
O ódio é um sentimento que me atrai. Mas não consigo sentí-lo. O porquê disso é incerto. Eu sou bom demais? Eu sou idiota demais? Eu sou ingênuo demais? Ou eu apenas não gosto de odiar as pessoas?
Prefiro a última opção. O problema nisso tudo é que quando não se odeia, se ama. E amar é complicado. Amar nos faz sofrer, o que é bom, pois nos tornamos quem nós somos.
É aí que retomo o início. Eu não consigo dominar sequer minhas escolhas, ou meu destino, sei lá. Eu amo, sem saber a quem. Certo que é um “amor torto”, erótico... “um amor de quatro dias”. Não deixa de ser amor. Estou enganado?
Eu sou fraco, e ser fraco significa que as coisas não darão certo.
Eu sou jovem demais pra acreditar que as coisas não darão certo.
Ou darão?

Dançando na madrugada

Preciso me esconder debaixo da tua saia.
Embrenhar-me nas raízes emaranhadas dos teus cabelos.
Necessito das entranhas de tua pele e do calor dos teus murmúrios.
Quero prender teu corpo, encontrar tua alma e me perder na boemia do teu ritmo.

Mudanças

Opa, meus caros amigos.
Tô de volta à ativa aqui, voltando a escrever e a postar meus textos.
O blog tá com um novo template e um novo título.
Espero q gostem.
Abraço

Intimamente

Cansei de ter ataques de loucura ao contrário.
Acredite, lucidez não é o meu forte.
A minha vida não é meticulosamente ensaiada como um tango exibido na TV aberta num domingo a noite. Prefiro compará-la a um samba embriagado nas esquinas de uma madrugada.
Não quero paixões descompromissadas nem amores que me aprisionem.
Talvez o meu jeito torto de amar seja mais sensato que as tuas tardes preguiçosas comigo a te afagar.
Talvez o meu excesso de amor, ou melhor, a minha falta de desamor seja mais pura que tua "prudência disfarçada" e as tuas mentiras imagoáveis.
Talvez eu seja tolo.
Talvez você seja ridícula.
Não encontro sentido nisso tudo, talvez por que não haja sentido. Ou talvez eu não saiba explicar.
Acredite, explicações não são o meu forte.

Untitled III

Ao cair da noite
Tu cais em meus braços.
O gozo cai sobre nós.
A minha honra cai ao chão
E a minha alma sobe aos céus.

Re(re)(re)(re)definição

O amor não é fogo, nem ferida, não é contentamento, muito menos dor ou humor.
É apenas um copo de uísque compartilhado entre as marcas de batom num cigarro.
É o erotismo exacerbado das palavras que se perdem entre os corpos na madrugada.

Novos Conceitos

Consigo ver as cores.
Ainda não distinguo as formas.
As cores são importantes, mas não me bastam.
Quero ver os contornos, as fronteiras.
Quero enxergar os movimentos.
Quero diferenciar as rosas de plástico das naturais.
Estou saindo da imensidão da minha conformada cegueira.
Meu amor, ainda te quero.
Mas agora consigo enxergar.

Através da Noite

Dorme, meu amor.
Resolvi ficar.
Acompanhar-te pela noite.
Faz da minha febre o teu cobertor.
Eu faço do teu sonolento sorriso o meu altar.
Acordaremos num mundo cheio de cores.

A culpa é tua, Santo Antônio

Nós dois... sem o resto do mundo.
Trancados, presos em nós mesmos.
E nesse mundo, imundo, com o torpor de nossos olhos, a cólera de nossas mãos e a saliva de nossas bocas, transformamos o lugar mais fétido que conhecíamos num palco de ilusões e sentimentos que durarão para sempre em nossas memórias, pelo menos na minha.


P.S.: Você sabe do que se trata. Amo-te.

Flores de uma única estação

Tudo é efêmero.
“Eterno enquanto dure, tem um final”.
Mas, quando falamos “Amo-te por toda eternidade”, representamos a medida exata do que sentimos em dado momento.
Pode-se resistir esse momento ao tempo?
Creio que não.
Mas a memória se encarregará de torná-lo eterno.
Não fixo(presente, existente), mas eterno.

Agradecimento aos leitores

Só agradecer ao pessoal que aparece sempre aqui.
Fico feliz com as visitas e com os comentários.
Agradeço também a quem está me seguindo.
A fidelidade de vocês me anima.
Grande Abraço e desculpem pelos erros gerais.

Sem imaginação, apenas desilusão.

Depois de percorrer desertos, escalar montanhas, voar pelos ventos alísios, dependurar-me em penhascos e aventurar-me por corações obscuros, meus pés descalços só queriam repousar na tua bacia de água quente.
Só encontrei uma ilusão, uma miragem, uma farsa.
Se não me farás bem, então não me faças mal.

Estais perdoada.

Depois de tudo isso, meu único desejo é possuir teu coração na mais pura forma, sem mentiras.
É demais para você?

Instante

O calor do teu casaco puído impede que as minhas orelhas fiquem vermelhas, friorentas.
Meu ouvido recostado no teu ombro pode perceber o fluir do teu sangue por tuas artérias.
Nossa primeira noite juntos.
Busco a felicidade nas pontas dos teus dedos.
E, naquele beijo, sinto o sopro de felicidade de tua alma.
Ecstasy.
- Boa noite, meu amor!

Fulga

Em fugaz armadilha da verdade,
Eu escrevo tristes versos.
Lanço meu coração sobre eles
E me perco vagando entre os mesmos.
Numa pausa frenética, pergunto ao vento:
- Que desgraça é essa que me deixa tão feliz? O amor?

Coração Vagabundo

Que farás agora da tua vida?
Ladearás meu coração até quando?
Teu coração vagabundo molda o meu coração que fica assim, como o teu: um coração vagabundo.

Ópio

A bebida inebriou os meus sentidos
A fumaça cegou os meus olhos.
Naquele sofá frio senti os teus lábios.
Recostei-me no silêncio do teu olhar.
Eu estava em plena felicidade.

Parcialmente te tenho

O teu calor me protege das noites de tormenta.
Aprisiono o teu corpo que me satisfaz.
Arranho a tua cintura que roça nos meus pêlos.
Mordisco a tua boca que me lambuza.
Agarro os teus braços.
Firmo tuas mãos nas minhas.
Sinto teu suor.
Forço as tuas costas.
Já te tenho como não quero.
Quando poderei ter os teus olhos?
Quando poderei apoderar-me de tua alma?

Palavras Homonímas


As minhas mãos que fluem pelo teu talhe não são as mesmas que te acariciam o rosto.

Dúvida

Dessa vez estamos, literalmente, sem saída.
Resistiremos?
Torço que sim.

Justificativa

Boa noite caros leitores.
Vindo só me desculpar pela ausência.
Tive uns problemas, estou sem internet em casa e sem tempo e inspiração pra escrever novas coisas.
O vestibular tá me enlouquecendo.
Ficarei devendo alguns textos para vocês.
Abraços
Até breve.

Vida com/sem sentido


- Não deixe que ele volte.

Era tudo o que ela me dizia.

Todos os dias eu voltava àquele velho e moribundo sanatório. Sentávamos na encanecida cadeira fiada de palha e ficávamos contemplando o céu funéreo, âmbar. A mesma mão fria eu tocava todos os dias e encarava os mesmos olhos, vazios, presentes e tristes. As pupilas dilatadas fugiam do corpo que eu persistia em amar.

As duas mãos se encontravam, e a manhã passava. A tarde passava. O silencio resistia e nos acompanhava por todos os dias. Eu tentava quebrá-lo, relembrando os velhos tempos ou criando minhas histórias fantásticas. Em poucos momentos eu conseguia arrancar daqueles lábios um movimento que lembrava um sorriso ou uma palavra desvairada.

Raramente ela me falava algo, e quando as palavras vinham, eram sobre sonhos perdidos na noite. Sonhos sem nexos onde eu sempre estava presente. Chegava a ouvir dezenas de vezes o mesmo sonho demente.

As lágrimas me delatavam.

O céu ficava mais tétrico, o relógio anunciava à minha hora de ir embora reforçada pelos anúncios das enfermeiras.

Todos os dias, ao despedir-me dela, perguntava se eu a amava e eu sempre respondia a mesma coisa.

- Vou amá-la para sempre – dizia. – Sempre.

Barganhas

Ás vezes me pergunto por que tu estais comigo.
Por conveniência?
Por falta de opção?
Por meros caprichos?
Ou apenas por satisfação?
Tu demonstras tudo isso. Mas não mostra o que eu quero ver.
Só não esquece que eu estou contigo por apego e não por barganhas.
Não quero ser um rato frente ao teu mundo de bebidas, amigos e distração.
Faz da tua vida o quiseres.
Só não me troque por um garoto de bar de uma esquina qualquer.
Meu destino te pertence.

Novidade!

Galera...
Blog de cara nova.
Espero que gostem.
Abraços

Dívida

Frígido.
Olhos cegos. Escuridão. Calafrios.
Tateei o lado direito da cama. Nada de calor, além do travesseiro inerte.
Busquei meus óculos no criado mudo. Pus no rosto, liguei o abajur. E olhei pro lado.
Confirmei , você se tinha ido.
Mais uma vez, saiu sem esperar pelo pagamento.
Mas tudo bem, os poemas que te devo ficam acumulados para o nosso próximo encontro.

Mentir é fácil

Tu só me enaganarás com tuas mentiras a partir do momento em que olhares em meus olhos e dizer que me ama até a morte e mesmo depois dela continuará me amando.


P.S.: Não te assusta com isso. Não foi pra ti. Pura ficção.

Cigarros e whisky

Minha alma é uma mera escrava dos teus pedidos frívolos.

Meus olhos são tolos contempladores de tua face que cheira a whisky.

Meu tato é um seguidor da fumaça insípida do teu cigarro.

Mesmo com o whisky e com as futilidades, amo-te.



P.S.: Que a indireta te sirva pra alguma coisa.

Untitled

Difícil não é olhar o céu encoberto de nuvens escuras e não ver o sol.
Difícil é olhar teus olhos e não ver tua alma.