Olhos Embusteiros



O êxtase inebriava o ambiente significativo. Vozes perdidas entoavam cantos fétidos por entre a multidão. No meio de tudo aquilo consegui ver alguém. Finalmente uma pessoa de verdade. Nada de calúnias, nada de prepotência. Era apenas uma pessoa. Como eu, talvez. Não sei se sou de tão alto escalão.


Naquele lugar, naquele momento, perante aqueles olhos eu me encontrei.


Era diferente de tudo o que havia visto na minha soberba e podre existência. Um nada, era assim que eu me sentia ao lado daquela clarabóia de sabedoria e sensualidade acopladas em apenas um olhar.


E foi aquele maldito olhar que me fez sentir-me um ser raso. A ascendência era clara e a preponderância era significativa. Aqueles malditos olhos faiscavam fronte a meu ser. Foi esse mesmo olhar, que, hoje me faz sentir uma criatura elevada.


Nada sou além de uma sombra tua. Nada sou além de um espírito que te segue. Que te segue fugazmente em busca de teu beijo, em busca da contemplação do teu semblante.


Vi que tu eras um coringa no meio de cartas amontoadas e repetidas. Tu me encantaste pela tua altercação.


Hoje eu sou apenas um mero ser que contempla de longe o teu olhar e espera os teus agrados.

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