Vida com/sem sentido


- Não deixe que ele volte.

Era tudo o que ela me dizia.

Todos os dias eu voltava àquele velho e moribundo sanatório. Sentávamos na encanecida cadeira fiada de palha e ficávamos contemplando o céu funéreo, âmbar. A mesma mão fria eu tocava todos os dias e encarava os mesmos olhos, vazios, presentes e tristes. As pupilas dilatadas fugiam do corpo que eu persistia em amar.

As duas mãos se encontravam, e a manhã passava. A tarde passava. O silencio resistia e nos acompanhava por todos os dias. Eu tentava quebrá-lo, relembrando os velhos tempos ou criando minhas histórias fantásticas. Em poucos momentos eu conseguia arrancar daqueles lábios um movimento que lembrava um sorriso ou uma palavra desvairada.

Raramente ela me falava algo, e quando as palavras vinham, eram sobre sonhos perdidos na noite. Sonhos sem nexos onde eu sempre estava presente. Chegava a ouvir dezenas de vezes o mesmo sonho demente.

As lágrimas me delatavam.

O céu ficava mais tétrico, o relógio anunciava à minha hora de ir embora reforçada pelos anúncios das enfermeiras.

Todos os dias, ao despedir-me dela, perguntava se eu a amava e eu sempre respondia a mesma coisa.

- Vou amá-la para sempre – dizia. – Sempre.

18 comentários:

  Vinícius Paulo

21 de fevereiro de 2010 14:23

Nossa, que lindo. Texto metricamente elaborado. Muito bom mesmo. Vou até ter seguir aqui. Abs!

Visite o meu, para trocarmos ideias. Abs! - http://bit.ly/9l1wJH

  /+/ Rafael /+/

21 de fevereiro de 2010 14:24

First, texto foda!

  Isaac Linhares

21 de fevereiro de 2010 14:37

E ela dizia: "Ainda é cedo, cedo, cedo, cedo..." :)

Fodão teu texto!

Parabéns!

  Pedregulho'S

21 de fevereiro de 2010 14:40

Pesadelo...

  marley

21 de fevereiro de 2010 14:44

Uaaaaaaaaaaau . Mê . a cada diia vc me surpreende . meuu orgulhoo . hauahuah .


adoreei .

^^

  Paty

21 de fevereiro de 2010 15:27

Isso me fez chorar ._.

Muito bem escrito, aliás.

  Keizy Barreiro

22 de fevereiro de 2010 00:13

Nossaa..muito bom.
Muito bom mesmo o texto
Parabéns.

  Yuri [VerbALL]

22 de fevereiro de 2010 00:26

Muito bem escrito, parabéns de novo ;D

  Anônimo

24 de fevereiro de 2010 15:35

A CADA DIA FICO MAIS PROXIMO DE VC
CHEGO APENSAR EM GRITAR O NOSSO LOUCO AMOR
TE AMOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
XERU MEU AMORRRRRRRRRR


PS - PENSADO POR EU

ESCREVER COM ALMA E UM DOM E VC O TEM FAÇA BOM USO DELE, E AS VEZES UM CIGARRO E UMA DOSE DE RED CAI BEM.....

SEU LOVE

  lucas

26 de fevereiro de 2010 17:33

o blog ta massa.... super diversificado!!!
gostei mesmo....

  Luanne de Cássia

27 de fevereiro de 2010 12:55

ah que coisa bonita:)
Um amor assim, é lindo!
É lindo porque enfrenta e resiste as situaçoes mais bizarrar
*-*
bjo

  Anônimo

5 de março de 2010 16:32

Perfeito, só podia ser de Medeiros.

*( Lais aqui.

  Thamyzinha Iwasaki

11 de março de 2010 15:47

muito bom...
ameii!!!
tu é igual a mim[
escreve textos fictisos...
mmeu amor muitas vezes se assusta pois tem poemas meus que é bem doloroso!!

  Felipe

11 de março de 2010 15:47

Fantastico amigo.
Você escreve super vem e esse texto é uma obra para poucos, você certamente tem um dom.
Os detalhes sempre fazem a diferença.
Muito fodinha seu texto.

Depois da uma passada no meu ;)
http://instindohumano.blogspot.com/

  BLOGUEIRO EXECUTIVO

11 de março de 2010 16:03

Texto muito bem escrito e sinalizado por pontuações, pausas e linearidades no roteiro que tornem interessante sua nua literatura!

  Rui

20 de março de 2010 22:52

até quando este amor viverá? rs
nao deve ser fácil amar alguém que precise de um sanatório
mas dizem que o amor suporta tudo, nao é rs

  César Marins de Ameida

23 de março de 2010 15:43

Escreve super bem!!

parabéns!!

http://maisinterrogacao.blogspot.com/

meu blog de variedade!!

  laisinha

31 de março de 2010 14:34

Texto lindooo...
Super sentimental.
O amor e seu verdadeiro sentido,amar apesar de todas as limitações.

Parabéns pelo texto.